Toyota SW4 2026: o que torna o SUV líder de mercado?

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Poucas coisas são tão imprevisíveis quanto o mercado automotivo. No entanto, alguns modelos parecem ignorar qualquer lógica. É exatamente isso que acontece com o Toyota SW4, um SUV grande, caro e veterano, que mesmo custando mais de R$ 400 mil conseguiu fechar 2025 com mais de 17 mil unidades emplacadas no Brasil.

Toyota SW4 2026 / Foto: Divulgação

Para se ter ideia, esse número supera o volume de vários SUVs menores e bem mais acessíveis. Portanto, a pergunta é inevitável: qual é o segredo desse sucesso?

Depois de alguns dias ao volante do SUV da marca japonesa, fica claro que o motivo vai muito além de status ou tradição.

Um veterano que se recusa a sair de cena

A atual geração já soma cerca de 10 anos no mercado brasileiro. Durante esse período, o setor mudou completamente. SUVs urbanos cresceram, os híbridos ganharam espaço e a eletrificação virou tendência.

Mesmo assim, o modelo manteve seu DNA praticamente intacto. Ao longo dos anos, recebeu ajustes no visual, melhorias mecânicas e novos equipamentos. Porém, nunca deixou de ser um SUV com chassi de picape e motor a diesel.

Hilux SW4 2026 / Foto: Toyota
Toyota SW4 2026 / Foto: Divulgação

Além disso, os números chamam atenção. Por muito tempo, o volume anual girou em torno de 13 mil unidades. Contudo, a partir de 2023, esse patamar foi superado. Em 2025, veio o melhor resultado da geração. Ou seja, um desempenho que contraria qualquer previsão lógica do mercado.

Um gigante que impõe respeito

Logo no primeiro contato, o porte impressiona. Com quase 4,80 metros de comprimento e 28 cm de vão livre do solo, entrar no carro exige quase uma escalada.

Mesmo não sendo maior que alguns SUVs urbanos de luxo, ele transmite uma sensação de robustez que poucos modelos conseguem. Assim, a imagem de “carro parrudo” é percebida até por quem não entende nada de automóveis.

Portanto, não é só tamanho. É presença.

Um apelo direto à tradição

Enquanto muitos SUVs apostam em telas gigantes e comandos totalmente digitais, aqui a proposta é diferente. O painel mantém instrumentos analógicos e vários botões físicos para controlar ar-condicionado, tração e modos de condução.

A multimídia tem tela de nove polegadas, som JBL e espelhamento sem fio. Entretanto, o sistema é simples e sem muitos recursos avançados. Em compensação, é fácil de usar e direto ao ponto.

Por outro lado, há ausências curiosas para um carro desse preço. Não existe carregador por indução nem portas USB para quem vai atrás. Isso mostra que a prioridade não é ser moderno, e sim funcional.

O acabamento também segue essa lógica. O visual é mais sóbrio do que refinado. Assim, lembra mais um SUV médio bem montado do que um modelo premium.

Espaço interno é um dos grandes trunfos

Aqui está um dos pontos mais fortes. Cinco adultos viajam com muito conforto. Na versão de sete lugares, ainda é possível levar mais dois passageiros, com direito a saídas de ar-condicionado exclusivas.

Entretanto, o teto mais baixo deixa o ambiente um pouco apertado para quem tem mais de 1,70 metro na terceira fileira.

Hilux SW4 2026 / Foto: Toyota
Hilux SW4 2026 / Foto: Toyota

O interior do carro também chama atenção pela praticidade. Diferente de outros SUVs, os bancos extras não somem no assoalho. Eles ficam presos nas laterais do porta-malas, ocupando parte do espaço.

Mesmo assim, o bagageiro surpreende. Com os bancos dobrados, ainda é possível levar várias malas sem dificuldade.

Equipamentos: bons, mas com lacunas

A lista mistura pontos fortes com algumas faltas estranhas para um veículo acima dos R$ 400 mil.

Entre os itens de conforto estão:

  • ar-condicionado digital de duas zonas

  • chave presencial

  • bancos de couro com ajuste elétrico e ventilação

  • multimídia com som JBL

  • porta-malas com abertura elétrica

Na parte de segurança e tecnologia:

  • faróis de LED

  • câmera 360°

  • sete airbags

  • controle adaptativo de velocidade

  • frenagem automática

  • alerta de ponto cego e de tráfego cruzado

Apesar disso, itens como teto solar, sensor de chuva e assistente de centralização em faixa fazem falta nesse pacote.

Mecânica tradicional e confiável

Nada de eletrificação aqui. O conjunto é clássico e conhecido:

  • motor 2.8 turbodiesel

  • 204 cv de potência

  • 50,9 kgfm de torque

  • câmbio automático de seis marchas

  • tração 4×4

O consumo não impressiona:

  • 9,3 km/l na cidade

  • 10,5 km/l na estrada

Porém, o tanque de 80 litros garante boa autonomia para viagens longas.

Em um mercado cada vez mais dominado por SUVs urbanos e eletrificados, o Toyota SW4 segue como um produto fora da curva. Mesmo caro e veterano, continua vendendo bem porque oferece algo raro: sensação de indestrutibilidade.

Não é moderno, não é silencioso e não é tecnológico como os rivais mais novos. Porém, é confiável, espaçoso e pronto para qualquer caminho.

No fim das contas, talvez o sucesso venha justamente disso: enquanto o mercado muda rápido, ele continua sendo exatamente aquilo que sempre foi. E muita gente ainda quer isso.