O mercado brasileiro de automóveis teve um desempenho curioso em 2025. Enquanto as vendas de carros novos cresceram de forma tímida, o setor de usados apresentou resultados muito mais expressivos.

De acordo com dados do Índice Webmotors, as vendas de automóveis novos avançaram apenas 2,5%, e as de comerciais leves subiram 3% em comparação com 2024. Por outro lado, o mercado de seminovos e usados mostrou um cenário mais aquecido, com menor desvalorização dos veículos e sinais claros de maior procura.
Assim, o comportamento do consumidor indica mais confiança na compra de veículos já rodados, principalmente diante dos preços elevados dos modelos zero-quilômetro.
Desvalorização menor indica aumento da demanda
Um dos pontos mais relevantes do levantamento foi a redução na perda de valor dos veículos usados. Em outras palavras, os carros depreciaram menos em 2025 do que no ano anterior.
Isso significa que houve maior equilíbrio entre oferta e procura. Além disso, demonstra que os consumidores estão mais dispostos a investir em veículos usados, mantendo o mercado aquecido ao longo do ano.
Segundo a Webmotors, os números foram calculados com base em anúncios de compra e venda publicados na plataforma durante todo o período de 2025.
Elétricos lideram queda de valor entre os usados
Apesar do crescimento do interesse por novas tecnologias, os carros elétricos usados foram os que mais perderam valor em 2025. O segmento encerrou o ano com desvalorização de 11,95% em relação a 2024.
Esse resultado negativo chama atenção, principalmente porque o tema da eletrificação tem ganhado espaço no Brasil. No entanto, fatores práticos ainda pesam bastante na decisão de compra.
Entre eles estão a dificuldade de encontrar pontos de recarga fora dos grandes centros urbanos e a insegurança para viagens longas. Dessa forma, muitos consumidores ainda preferem veículos mais tradicionais.
Híbridos mostram evolução, mas ainda enfrentam desafios
Já os carros híbridos usados tiveram um desempenho melhor que os elétricos. A desvalorização ficou em 9,02%, representando uma melhora em relação aos 9,79% registrados em 2024.
Esse avanço sugere um interesse crescente dos brasileiros por modelos que combinam motor a combustão e sistema elétrico. Além disso, os híbridos oferecem uma transição mais suave para quem deseja economia de combustível sem depender totalmente de recarga externa.
Mesmo assim, o segmento ainda enfrenta limitações relacionadas à infraestrutura e ao custo de manutenção, o que impede um crescimento mais acelerado.
Veículos a combustão tiveram o melhor desempenho
Os modelos usados com motor a combustão foram os que menos perderam valor em 2025. A desvalorização ficou em apenas 3,94%, contra 4,11% no ano anterior.
Esse resultado reforça que os carros tradicionais continuam sendo a principal escolha do consumidor brasileiro. Além disso, eles oferecem maior previsibilidade no uso diário, facilidade para abastecimento e manutenção conhecida pela maioria das oficinas.
Portanto, mesmo com a chegada de novas tecnologias, os veículos a combustão seguem como os mais estáveis no mercado de usados.
Confiança do consumidor e economia mais favorável
Segundo Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, o desempenho do mercado em 2025 reflete um ambiente mais positivo em relação a 2024.
De acordo com ele, houve melhora consistente nos índices, com destaque para os híbridos, que passaram a desvalorizar menos. Isso mostra um interesse crescente dos consumidores e indica potencial de crescimento desse tipo de veículo no Brasil.
Porém, o executivo também apontou que outras alternativas, como os elétricos, ainda enfrentam desafios importantes, principalmente ligados à infraestrutura.
Infraestrutura é o principal obstáculo dos elétricos
O grande problema dos carros elétricos no Brasil está na rede de recarga. Em um país de dimensões continentais, montar uma estrutura eficiente exige investimento técnico e financeiro elevado.
Sem carregadores suficientes nas estradas, muitos motoristas ainda têm receio de viajar longas distâncias. Além disso, falhas de manutenção e filas nos pontos de recarga aumentam a insegurança.
Como resultado, essa limitação ajuda a explicar a maior desvalorização dos elétricos usados em 2025. O ano mostrou um contraste interessante no mercado automotivo brasileiro. Enquanto os carros novos cresceram pouco, o setor de usados se fortaleceu, com menor desvalorização e maior procura.
Os veículos a combustão continuam sendo os mais estáveis, os híbridos avançam gradualmente, e os elétricos ainda enfrentam barreiras importantes para ganhar confiança total do consumidor.
Assim, o cenário indica que o brasileiro segue priorizando praticidade e segurança na compra, ao mesmo tempo em que observa com cautela as novas tecnologias. O mercado de usados, por sua vez, confirma seu papel como protagonista na mobilidade nacional.