Chega em 2028: Ford Fiesta volta como elétrico

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Dois anos após sair de linha, o Fiesta caminha para um retorno simbólico e estratégico. O hatch compacto, que por décadas figurou entre os mais vendidos da Europa, deve renascer em 2028 como modelo 100% elétrico. Esse movimento só se tornou possível graças à nova aliança industrial entre Ford e Renault. Inclusive, a revista inglesa Auto Express já publicou uma projeção do futuro Fiesta EV, que ajuda a visualizar como será essa nova fase.

Ford Fiesta EV / Foto: Avarvarii

Parceria com a Renault acelera o projeto

Para viabilizar o retorno, a Ford deve utilizar a arquitetura elétrica AmpR Small, desenvolvida pela divisão Ampere do Grupo Renault. Essa é a mesma base usada por modelos como Renault 5, Renault 4, Alpine A290, Nissan Micra elétrico e pelo futuro Twingo EV.

Com isso, a marca americana ganha escala, reduz custos e encurta o tempo de desenvolvimento. Além disso, passa a competir de forma mais realista no concorrido segmento de compactos elétricos europeus, algo que seria muito mais difícil sem essa cooperação.

Europa praticamente obriga a eletrificação

Mesmo com o recente abrandamento das regras de emissão, a União Europeia praticamente selou o destino dos compactos a combustão. Para cumprir as metas de descarbonização, os modelos de entrada precisarão ser elétricos. Portanto, a volta do hatch não é apenas nostalgia. É, antes de tudo, estratégia de sobrevivência no mercado europeu.

Nesse cenário, a Ford deixou claro que não pretende ficar de fora. O projeto surge como uma resposta direta às novas exigências ambientais e à pressão competitiva de marcas francesas, alemãs e asiáticas.

Identidade própria, apesar da base compartilhada

Segundo reportagem assinada por Ellis Hyde e Richard Ingram, da Auto Express, o compartilhamento técnico não significa perda de identidade. Pelo contrário. A Ford promete diferenciação clara no novo modelo elétrico.

Assim como já acontece com os elétricos Explorer e Capri, que usam base Volkswagen, o hatch terá design próprio, além de um acerto dinâmico exclusivo. A engenharia da marca ficará responsável por direção, suspensão, freios e calibração geral, mantendo o DNA de condução que sempre foi um dos pontos fortes do carro.

O que esperar da parte técnica

Embora ainda não haja confirmação oficial, a proximidade com o Renault 5 permite algumas projeções bem realistas. Entre os principais pontos esperados estão

  • Potência em torno de 148 cv, suficiente para uso urbano e rodoviário

  • Baterias entre 40 kWh e 52 kWh, equilibrando custo e autonomia

  • Autonomia próxima de 400 km no ciclo WLTP, nas versões mais eficientes

  • Interior com proposta moderna e digital, alinhado ao padrão dos elétricos europeus atuais

A produção deve acontecer no complexo ElectriCity, no norte da França. Dessa forma, a Ford reforça o foco europeu do projeto e consegue colocar o modelo nas ruas já em 2028, sem grandes atrasos.

E o possível retorno da versão ST

Além da versão convencional, existe espaço para emoção. A parceria com a Renault abre caminho para um possível ST elétrico, inspirado no Alpine A290, que chega a 217 cv e aposta em chassi mais agressivo.

Segundo a Auto Express, embora ainda não confirmado, o retorno da sigla ST faria sentido dentro da estratégia da marca. Afinal, a Ford quer continuar oferecendo produtos passionais, mesmo na era da eletrificação.

E o Brasil nessa história

Por aqui, a chance de vermos o Fiesta EV é mínima. Para isso acontecer, seria necessária uma mudança profunda no mercado brasileiro e também na estratégia industrial da própria Ford. Hoje, a marca foca claramente em picapes, SUVs e no Mustang, com motores a combustão e algumas opções híbridas.

Além disso, o segmento de compactos elétricos no Brasil já começa a ser ocupado por marcas como BYD, Geely, Renault e Chevrolet, o que tornaria a disputa ainda mais difícil.

Um retorno com peso histórico

No fim das contas, a volta do hatch em versão elétrica representa muito mais do que um novo produto. Trata-se de um símbolo de adaptação de um ícone às novas regras do jogo. Se mantiver o espírito que o consagrou e souber aproveitar a tecnologia francesa, o retorno em 2028 tem tudo para ser relevante no cenário europeu.

Fonte: Auto Express, com Ellis Hyde e Richard Ingram