Desde o segundo semestre de 2023, quando a Toyota trouxe oficialmente o Toyota GR Corolla ao Brasil, os fãs da divisão Gazoo Racing passaram a ter um verdadeiro hot hatch de respeito no mercado nacional. Agora, pouco mais de dois anos depois, a marca amplia esse território com a chegada do Toyota GR Yaris, confirmado no último Salão do Automóvel de São Paulo e já disponível em pré-venda.

Com isso, a Toyota passa a oferecer dois esportivos compactos com a mesma base mecânica, mas com propostas bem diferentes. E é justamente aí que está o ponto mais interessante dessa história.
Apesar de compartilharem motor e tração integral, cada um conversa com um tipo específico de motorista. Portanto, entender essas diferenças ajuda bastante na hora de escolher qual faz mais sentido.
Mesmo motor, calibrações diferentes
Ambos utilizam o motor 1.6 turbo de três cilindros da família G16E-GTS, desenvolvido pela Gazoo Racing. No hatch médio, ele entrega 304 cv e 37,7 kgfm de torque. Já no compacto, são os mesmos 304 cv, porém com 40,8 kgfm de torque.
Além disso, os dois usam o sistema de tração integral GR-Four, que distribui a força entre os eixos de forma variável por meio de modos de condução. Ou seja, a tração não é um fator de diferenciação, já que ambos são AWD legítimos.
Na prática, os números mostram pequenas diferenças:
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A aceleração de 0 a 100 km/h fica em 4,9 segundos para o maior.
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O compacto faz o mesmo em 5,2 segundos.
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A velocidade máxima gira em torno de 230 km/h nos dois casos.
Mesmo com mais torque, o modelo menor não é o mais rápido. E isso nos leva diretamente ao ponto central da comparação.
Porte e peso mudam totalmente a experiência
Aqui está a principal diferença entre os dois esportivos.
O hatch médio é maior em todas as medidas, com:
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4,40 metros de comprimento
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2,64 m de entre-eixos
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Peso entre 1.480 kg e 1.485 kg
Já o compacto apresenta números bem mais contidos:
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3,99 metros de comprimento
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2,56 m de entre-eixos
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Peso entre 1.305 kg e 1.325 kg
Essa diferença de cerca de 175 kg impacta diretamente a condução. Enquanto um oferece mais estabilidade e sensação de carro “plantado”, o outro entrega mais agilidade e respostas rápidas em curvas.
Portanto, mesmo partindo do mesmo conjunto mecânico, os dois seguem caminhos distintos na experiência ao volante.
Posicionamento também é diferente
Além das medidas, o posicionamento de mercado ajuda a separar claramente os públicos.
O hatch médio é vendido nas versões Core (R$ 416.990) e Circuit (R$ 461.990). Quando foi lançado, teve uma série inicial de 99 unidades, seguida por mais 30 exemplares, totalizando 129 carros destinados ao Brasil.

Já o compacto chega em uma série inicial de 198 unidades, com preço de pré-venda de R$ 354.990.
Ou seja, apesar de estar há mais tempo no mercado, o modelo maior acaba transmitindo ainda mais sensação de exclusividade. Por outro lado, o menor aposta em um valor de entrada mais acessível dentro do universo dos esportivos da Gazoo Racing.
Dois esportivos, duas propostas
Mesmo compartilhando motor e tração integral, eles não competem diretamente entre si.
O hatch médio atende quem busca:
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Mais espaço interno
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Maior estabilidade em altas velocidades
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Um esportivo mais utilizável no dia a dia
Já o compacto conversa com quem prioriza:
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Menor peso
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Dimensões reduzidas
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Condução mais focada e direta
Em termos de desempenho, os números são muito próximos, com leve vantagem para o modelo maior na aceleração. Ainda assim, o menor entrega uma experiência mais pura e esportiva, graças à sua leveza. A chegada do novo hot hatch japonês amplia o território da Gazoo Racing no Brasil e mostra como um mesmo conjunto mecânico pode gerar dois esportivos com identidades próprias.
De um lado, está a proposta mais completa, espaçosa e estável. Do outro, a opção compacta, leve e totalmente voltada à diversão ao volante.
No fim das contas, a escolha não é sobre qual é melhor, mas sobre qual combina mais com o perfil do motorista. Afinal, a Toyota conseguiu criar dois caminhos diferentes partindo do mesmo coração mecânico.




