Nos últimos anos, o segmento dos SUVs médios já vinha sendo movimentado pelos híbridos chineses, como GWM Haval H6 e BYD Song Plus. Agora, o cenário fica ainda mais competitivo com a chegada do Renault Boreal e, ao mesmo tempo, com a renovação do VW Taos para a linha 2026.

De um lado, está o modelo da marca alemã importado do México. Do outro, surge o SUV francês produzido no Brasil, com proposta mais tecnológica. Assim, ambos brigam na mesma faixa de preço e prometem atender famílias que buscam conforto, espaço e eficiência.
Mas afinal, qual entrega mais qualidades no uso diário?
Preços e versões
Atualmente, o SUV da Volkswagen mantém duas configurações:
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Comfortline por R$ 199.990
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Highline por R$ 219.990
Enquanto isso, o rival francês oferece três opções:
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Evolution por R$ 179.990
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Techno por R$ 199.990
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Iconic por R$ 214.990
Dessa forma, logo de início, o Boreal chama atenção por apresentar preços mais competitivos, especialmente quando se considera o nível de equipamentos oferecido.
Dimensões e conforto
Por ser um projeto mais recente, o modelo francês é um pouco maior. São 4,55 metros de comprimento contra 4,45 m do concorrente, além de entre-eixos de 2,70 m contra 2,68 m.
Na prática, o espaço interno é semelhante para os ocupantes. No entanto, a diferença aparece nos detalhes. Por exemplo, o túnel central elevado do SUV alemão atrapalha quem vai no meio do banco traseiro, enquanto o francês oferece melhor aproveitamento do assoalho.
O interior do modelo da Volkswagen se destaca pelo acabamento em couro, enquanto o concorrente utiliza material sintético premium. Além disso, ambos contam com teto solar panorâmico de série, que ocupa quase todo o teto.
No porta-malas, por outro lado, o Boreal leva vantagem clara. São 522 litros contra 498 litros, além de soluções práticas como tomada 12V, rebatimento automático dos bancos e um segundo nível para organizar objetos.
Tecnologia e conectividade
Neste ponto, o equilíbrio começa a mudar.
O SUV francês estreia como o primeiro modelo fabricado no Brasil com sistema Google nativo, permitindo o uso direto de Google Maps, Waze e assistente por voz sem depender do celular. Além disso, o pareamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay é padrão.
O modelo alemão evoluiu na multimídia e ganhou sistema de som com subwoofer. Ainda assim, continua ficando atrás em recursos. Em contrapartida, o rival traz som Harman Kardon, conhecido por equipar modelos premium da BMW.
No quesito segurança e assistências, o Boreal oferece um pacote mais completo, incluindo câmera 360° e espelhamento de navegação no painel de instrumentos. Portanto, leva vantagem nesse aspecto.
Isolamento acústico
Por se tratar de um projeto mais novo, o modelo francês mostra vantagem no silêncio a bordo. Principalmente em velocidades mais altas, o ruído do vento é menos perceptível.
O som do motor também é mais discreto. Além disso, os alertas sonoros do sistema de assistência são menos invasivos, enquanto o SUV da VW tende a “apitar” mais, o que pode incomodar no dia a dia. Assim, o conforto acústico favorece o Boreal.
Dirigibilidade
Mesmo sendo maior, o Boreal é mais fácil de manobrar. Seu diâmetro de giro é de 11 metros, contra 11,5 m do concorrente.
Os dois utilizam iluminação full LED. No entanto, o sistema IQ.Light do modelo alemão faz diferença no conjunto frontal dos faróis.
Na posição de dirigir, o francês entrega uma postura mais alta, típica de SUV. Já o alemão, por sua vez, aposta em uma ergonomia mais equilibrada e confortável para longas viagens.
Suspensão
Neste quesito, o SUV da Volkswagen leva vantagem técnica.
Ele utiliza suspensão traseira multilink, enquanto o concorrente adota eixo de torção. O primeiro oferece mais conforto e estabilidade em pisos irregulares. Por outro lado, o segundo tem manutenção mais simples e barata, mas perde em refinamento.
Desempenho
No uso urbano, o Boreal é mais ágil. Seu motor entrega até 163 cv e 27,5 kgfm de torque, com respostas rápidas em baixas velocidades. Além disso, o câmbio automatizado de dupla embreagem de seis marchas funciona bem na cidade, e os modos de condução são escolhidos por botão físico no console.
O modelo da VW, com 150 cv e 25,5 kgfm, é suficiente para a proposta. Entretanto, se na cidade ele é mais gradual, na estrada o câmbio automático de oito marchas faz diferença, deixando o rodar mais suave e econômico. Como ponto negativo, permanece o atraso na resposta do acelerador, algo comum nos carros da marca.
Consumo
Os números do Inmetro mostram uma pequena vantagem para o SUV francês.
Consumo urbano
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Boreal: 11,2 km/l (gasolina) e 7,8 km/l (etanol)
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Taos: 11,1 km/l (gasolina) e 7,7 km/l (etanol)
Consumo rodoviário
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Boreal: 13,6 km/l (gasolina) e 9,4 km/l (etanol)
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Taos: 13,3 km/l (gasolina) e 9,3 km/l (etanol)
Ou seja, além de ser mais potente, o Boreal ainda apresenta consumo ligeiramente melhor.
Tecnologia ou tradição?
Em resumo, o comparativo mostra dois SUVs bem resolvidos, porém com propostas diferentes.
O modelo da Volkswagen se destaca pelo conforto da suspensão, pela qualidade construtiva e pela estabilidade em estrada. Portanto, é uma escolha segura para quem prioriza rodar em rodovias e quer um conjunto mais tradicional.
Já o Renault Boreal leva vantagem em tecnologia, consumo, isolamento acústico e preço. Além disso, oferece mais porta-malas e um pacote mais moderno de conectividade e assistentes de condução.
No fim das contas, quem busca um SUV médio mais atual e com melhor custo-benefício tende a se inclinar para o francês. Por outro lado, quem prefere um rodar mais refinado e um comportamento mais sólido em viagens longas pode optar pelo alemão.
Assim, a decisão final depende do perfil do motorista.
Tecnologia e preço ou conforto e tradição?