De T-Cross a Creta: Os SUVs mais vendidos de 2025

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O mercado brasileiro de SUVs encerrou 2025 longe daquela previsibilidade que marcou os últimos anos. Embora a liderança ainda esteja nas mãos de modelos já conhecidos do público, o ranking deixou de ser estático. O sobe-e-desce entre os principais nomes do segmento revela, acima de tudo, uma mudança clara no comportamento do consumidor.

Chevrolet Tracker / Foto: Divulgação

Não é mais apenas uma disputa de quem vende mais. O cenário mostra quem perdeu fôlego, quem cresceu sem muito alarde e quem passou a incomodar marcas que pareciam intocáveis. A seguir, estão os 33 SUVs mais vendidos de 2025, mas o ranking por si só não explica tudo. A análise ajuda a entender por que o mercado mudou.

Liderança mantida, mas sob pressão

O Volkswagen T-Cross segue como referência entre os SUVs compactos. A fórmula combina forte presença no varejo, ampla rede de concessionárias e boa percepção de valor de revenda. Ainda assim, a liderança já não é tão confortável como antes. Até mesmo dentro da própria marca, o crescimento do Tera começa a gerar pressão interna.

Logo atrás, o Hyundai Creta mostra uma recuperação consistente. O visual atualizado, versões bem posicionadas e uma estratégia comercial mais agressiva recolocaram o modelo na briga direta pelo topo. Além disso, ele sempre teve bom desempenho no varejo, enquanto o rival depende mais das vendas diretas.

Tracker perde ritmo e acende alerta

O Chevrolet Tracker, que já foi protagonista absoluto do segmento, atravessa um momento mais delicado. O modelo perdeu ritmo diante de concorrentes mais atualizados e de um mercado cada vez mais disputado, especialmente entre as versões de entrada e intermediárias.

Hoje, o consumidor compara mais e aceita menos concessões em tecnologia, eficiência e pacote de equipamentos. Soma-se a isso a má reputação criada pela correia dentada banhada a óleo, um problema que a GM resolveu, mas não conseguiu explicar de forma clara ao público.

SUVs médios também se mexem

Entre os SUVs médios, o Jeep Compass ainda sustenta volumes relevantes, mas já não reina sozinho como em outros ciclos. A chegada de novos produtos, inclusive de marcas chinesas, mudou completamente o jogo.

Os híbridos plug-in passaram a atrair um público que antes ficava restrito às marcas tradicionais. São consumidores urbanos, atentos a consumo, tecnologia e imagem. Vale lembrar que a liderança recente do Compass também foi influenciada pela interrupção na produção de motores do Toyota Corolla Cross, causada por um vendaval na fábrica.

O fator chinês entra no radar

Ainda distante da liderança, mas cada vez mais presente, o BYD Song Pro simboliza uma transformação silenciosa no mercado. Ele não é apenas mais um SUV no ranking. O modelo introduz novos critérios de comparação, com foco em eletrificação, pacote tecnológico e custo-benefício.

Esse movimento não derruba líderes de uma hora para outra. No entanto, corrói margens e muda expectativas, algo que o mercado brasileiro passou a sentir com mais força em 2025. Nesse cenário, a Jeep aparece como uma das marcas mais pressionadas pelo avanço da BYD.

O que explica o sobe-e-desce do ranking

O reposicionamento dos SUVs mais vendidos passa, principalmente, por três fatores:

  • Preço final mais sensível, em um cenário de crédito ainda caro

  • Tecnologia e eletrificação como critérios de decisão, e não mais apenas diferenciais

  • Maior tolerância à troca de marca, especialmente entre compradores mais jovens

O SUV segue como o carro preferido do brasileiro. Ainda assim, a fidelidade automática a modelos e marcas ficou para trás.

Um ranking menos previsível

Se antes o mercado parecia congelado em poucos nomes, 2025 mostrou um cenário diferente. As lideranças continuam, mas agora são mantidas por estratégia, não por inércia. Quem não se mexe, perde espaço, mesmo vendendo bem.

Para o consumidor, isso significa mais opções e mais poder de escolha. Para as marcas, menos zona de conforto. Olhando para 2026, o jogo está aberto. É possível esperar uma presença forte do Volkswagen Tera, a retomada do Corolla Cross, um bom protagonismo do Nissan Kait e, claro, novas surpresas vindas das marcas chinesas.