A hegemonia do Toyota SW4 no segmento de SUVs grandes com chassi pode, finalmente, ser ameaçada no Brasil. A Ford confirmou que segue trabalhando para lançar o novo Everest no país, mesmo após desistir da produção do modelo na Argentina. A expectativa é que o SUV desembarque por aqui a partir de 2027, importado da Tailândia.

A confirmação veio direto da cúpula da marca. Durante o Salão de Detroit, o CEO da Ford na América do Sul, Martín Galdeano, foi claro ao afirmar que o Everest continua no radar da empresa e tem grandes chances de chegar ao mercado brasileiro.
“Nós estamos trabalhando nisso. Eu quero o Everest no Brasil e sei que muita gente também quer, então está nos nossos planos. Confia que queremos [o carro] por lá”, afirmou Galdeano.
SUV estratégico para brigar no topo do segmento
Segundo a própria Ford, existe demanda real pelo Everest no Brasil. A marca enxerga espaço para posicionar o modelo acima da Ranger, aproveitando o ótimo momento da picape no mercado nacional.
Se confirmado, o Ford Everest entrará diretamente na briga com Toyota SW4, Chevrolet Trailblazer, Mitsubishi Pajero Sport e o recém-chegado GWM Haval H9, segmento que voltou a ganhar relevância nos últimos anos com a retomada dos SUVs “raiz”.
Inicialmente, a ideia era repetir a estratégia da Toyota: produzir o SUV na Argentina, ao lado da Ranger, e abastecer toda a América do Sul. Porém, os altos impostos no país vizinho inviabilizaram o projeto, forçando a Ford a optar pela importação da Tailândia — planta que já abastece diversos mercados globais.

Everest é o “SUV da Ranger” — e isso é um elogio
Baseado na arquitetura T6 da Ranger, o Everest é um típico SUV de chassi sobre longarinas, mantendo a robustez como um de seus principais diferenciais. Ele compartilha com a picape média motores, painel, peças externas da carroceria e diversos componentes mecânicos.
A suspensão dianteira é praticamente a mesma da Ranger, mas o grande diferencial está na traseira:
nada de feixes de mola.
O Everest adota molas helicoidais e barra estabilizadora, mantendo o eixo rígido, o que garante mais conforto no uso familiar, sem perder capacidade fora de estrada.
Dimensões do Ford Everest
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Comprimento: 4,91 m
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Largura: 1,92 m
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Altura: 1,84 m
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Entre-eixos: 2,90 m
Na prática, o Everest é quase 12 cm mais comprido que o Toyota SW4, o que ajuda no espaço interno e no porta-malas.
Motores do Ford Everest
No mercado internacional, o Everest é vendido com uma ampla gama de motores:
Diesel
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2.0 biturbo diesel
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210 cv
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51 kgfm de torque
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3.0 V6 turbodiesel
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250 cv
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61,2 kgfm de torque
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Em todas as versões, o câmbio é automático de 10 marchas. A tração pode ser 4×2 ou 4×4 nas versões iniciais, enquanto as topo de linha são sempre 4×4. A capacidade de reboque chega a 3.500 kg, nível de referência no segmento.
Gasolina (EcoBoost)
Outra opção é o 2.3 turbo EcoBoost, que entrega:
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300 cv de potência
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45,4 kgfm de torque
Esse motor já equipa modelos como F-150, Mustang, Bronco e até versões da própria Ranger em alguns mercados.
No Brasil, a Ford já confirmou que esse propulsor será flex e estreará em breve em duas versões da Ranger: Tremor e híbrida plug-in. A adoção desse conjunto no Everest é uma possibilidade concreta, segundo apuração.
Sete lugares e foco no conforto
Por dentro, o Everest repete o painel da Ranger, mas com melhor aproveitamento do espaço interno. O SUV acomoda até sete ocupantes, como os principais rivais, e oferece:
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259 litros de porta-malas com sete lugares
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898 litros com a terceira fileira rebatida
Ou seja, mantém a proposta familiar sem abrir mão da robustez.
A pergunta que fica: o reinado do SW4 está ameaçado?
Se chegar ao Brasil com preços competitivos e um bom pacote de equipamentos, o Ford Everest tem tudo para ser o rival mais forte que o SW4 já enfrentou por aqui. Robustez, motores potentes, opção a gasolina flex e a força da marca Ranger jogam a favor do SUV da Ford.
Agora, resta saber quando exatamente ele desembarca e quanto vai custar. Mas uma coisa é certa: o segmento de SUVs grandes “raiz” promete esquentar — e muito — nos próximos anos.




