Especialistas alertam para riscos na renovação automática da CNH sem avaliação médica obrigatória

A recente proposta de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem gerado preocupações entre especialistas em segurança viária. A medida, que permite a renovação sem necessidade de exames médicos para motoristas que não cometeram infrações nos últimos 12 meses, levanta debates sobre a segurança no trânsito. A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) destaca a importância dos exames médicos periódicos para garantir que os motoristas estejam fisicamente aptos a conduzir veículos.

De acordo com a Abramet, condições físicas e mentais podem mudar com o tempo, seja pelo envelhecimento natural ou pelo aparecimento de problemas de saúde. Ignorar essa avaliação pode aumentar os riscos de acidentes, pois motoristas com limitações podem permanecer dirigindo sem o devido monitoramento médico. Além disso, o foco exclusivo no histórico de infrações não é considerado suficiente para assegurar a aptidão dos condutores.

A proposta foi oficializada pela Medida Provisória 1327 de 2025, que visa desburocratizar o processo de renovação da CNH. No entanto, conforme relata a Abramet, problemas de saúde como doenças neurológicas, problemas cardiovasculares e distúrbios do sono, dentre outros, podem impactar a capacidade de conduzir com segurança.

Impacto da Velocidade nos Acidentes

Outro aspecto importante abordado pela Abramet é a relação entre a velocidade dos veículos e a gravidade dos acidentes de trânsito. Estudos apontam que mesmo pequenos aumentos na velocidade permitida podem resultar em um número significativamente maior de mortes e feridos. A energia liberada em uma colisão cresce exponencialmente com o aumento da velocidade, sobrecarregando as capacidades do corpo humano e aumentando a severidade dos impactos.

Vulnerabilidade de Pedestres, Ciclistas e Motociclistas

Pedestres, ciclistas e motociclistas são identificados como os grupos mais vulneráveis no trânsito, de acordo com dados do DataSUS. Essas categorias são predominantes nas internações hospitalares decorrentes de acidentes, acentuando a necessidade de políticas de segurança viária que protejam os mais expostos. A combinação de alta velocidade, infraestrutura inadequada e mínima proteção física agrava os riscos de lesões sérias.

Crescimento de SUVs e Implicações para a Segurança

A frota crescente de SUVs e veículos com frente alta também preocupa os especialistas, pois esses veículos podem representar um perigo maior para pedestres e ciclistas. A altura da dianteira dos SUVs tende a afetar partes mais sensíveis do corpo em caso de acidentes, mesmo em velocidades moderadas. Para a Abramet, é imprescindível que futuros planejamentos urbanos e políticas públicas considerem estudos de segurança viária, avaliando aspectos como limites de velocidade e design de veículos para reduzir riscos.

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