Gigante GWM terá fábrica no ES 4 vezes maior que a de SP

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Durante muitos anos, o Brasil foi visto por marcas chinesas apenas como um mercado de testes. No entanto, esse cenário começou a mudar de forma clara. Agora, o País passa a ser tratado como base estratégica de produção, e não apenas como ponto de vendas.

Fábrica da GWM / Foto: Divulgação

Nesse contexto, nomes como BYD e GWM assumem papel central nessa nova fase da indústria automotiva nacional. Aos poucos, o parque industrial brasileiro ganha um novo capítulo, impulsionado por investimentos pesados e planos de longo prazo.

Assim, o Brasil deixa de ser coadjuvante e passa a integrar a estratégia global dessas fabricantes.

A segunda fábrica da GWM no Espírito Santo

Depois de inaugurar sua primeira unidade em Iracemápolis, no interior de São Paulo, a GWM confirmou a construção de uma segunda fábrica no Brasil. Desta vez, o local escolhido foi Aracruz, no Espírito Santo.

As informações foram divulgadas oficialmente pelo Governo do Espírito Santo, mostrando que o projeto é ambicioso desde o início.

Para começar, a nova planta terá 1,7 milhão de metros quadrados de área útil, superando a fábrica paulista, que ocupa 1,2 milhão de m². Ou seja, trata-se de um complexo industrial bem maior em extensão e estrutura.

Além disso, a capacidade produtiva também impressiona. Enquanto Iracemápolis consegue fabricar cerca de 50 mil veículos por ano, a unidade capixaba poderá atingir até 200 mil unidades anuais quando estiver em plena operação.

Estrutura completa e geração de empregos

Outro ponto importante é que a nova fábrica não será apenas uma linha de montagem. O projeto prevê um processo produtivo completo, incluindo:

  • Estamparia

  • Soldagem

  • Pintura

  • Montagem final

Esse modelo segue o padrão adotado em São Paulo, porém em escala maior.

Durante a fase de construção, a expectativa é gerar entre 1.500 e 3.500 empregos, principalmente na área da construção civil. Posteriormente, com a fábrica em funcionamento total, esse número pode chegar a 10 mil postos de trabalho, considerando empregos diretos e indiretos.

Portanto, o impacto econômico para a região deve ser significativo.

Investimentos bilionários no Brasil

Vale destacar que, quando chegou ao País, a marca anunciou um plano de investimentos de R$ 10 bilhões ao longo de dez anos. Parte relevante desse montante será direcionada justamente para o Espírito Santo.

Neste momento, o projeto ainda está em fase inicial. As próximas etapas envolvem:

  • Levantamentos topográficos

  • Sondagens do solo

  • Licenciamento ambiental

  • Preparação do terreno

Ou seja, ainda não há uma data oficial para a inauguração da nova fábrica, mas os primeiros passos já foram dados.

Iracemápolis foi o ponto de partida

Antes de avançar para o Espírito Santo, a GWM deu seu primeiro passo industrial no Brasil com a fábrica de Iracemápolis.

Essa unidade foi inaugurada em agosto e se tornou a primeira fábrica da marca nas Américas e no Hemisfério Sul. Atualmente, possui cerca de 94 mil m² de área construída dentro de um terreno de 1,2 milhão de m².

Hoje, aproximadamente 600 trabalhadores atuam na planta, com previsão de crescimento para mil empregos diretos e, no futuro, mais de dois mil postos, principalmente com o início das exportações para a América Latina.

No local, são produzidos SUVs e uma picape, atendendo tanto o mercado interno quanto os planos de expansão regional.

Uma estratégia clara para a América Latina

Mais do que fabricar carros, a estratégia da empresa é transformar o Brasil em base industrial para toda a América Latina. Isso envolve criar uma cadeia de fornecedores local, ampliar o conteúdo nacional dos veículos e desenvolver tecnologia dentro do País.

Se Iracemápolis representou o início dessa trajetória, Aracruz simboliza a fase de expansão e consolidação. A diferença de capacidade produtiva deixa isso evidente: sair de 50 mil para até 200 mil veículos por ano mostra que a empresa não está pensando pequeno.

Além disso, esse movimento reforça a importância do Brasil no cenário automotivo global, atraindo novos investimentos e estimulando a concorrência.

A chegada da segunda fábrica da GWM ao Brasil confirma uma mudança importante no papel do País dentro da indústria automotiva. As montadoras chinesas deixaram de enxergar o mercado brasileiro apenas como laboratório e passaram a tratá-lo como plataforma estratégica de produção.

Com investimentos bilionários, geração de milhares de empregos e foco em longo prazo, o projeto no Espírito Santo mostra que o Brasil está entrando em uma nova fase industrial. Assim, o setor automotivo nacional se fortalece, ganha diversidade de marcas e amplia sua relevância na América Latina.