Atualmente, os utilitários esportivos lideram os emplacamentos no Brasil. Isso acontece porque, nos últimos anos, várias opções de hatches, sedãs e station wagons deixaram o mercado. Em seu lugar, surgiram SUVs de todos os tamanhos e propostas.

Como resultado, muitas pessoas passaram a chamar qualquer carro com visual aventureiro de SUV. Entretanto, nem todo modelo alto entra nessa categoria oficialmente. E, curiosamente, essa definição não depende apenas do marketing.
No Brasil, quem estabelece essas regras é o Inmetro, que criou critérios técnicos para diferenciar SUVs de outros tipos de automóveis.
O que realmente define um SUV no Brasil
Antes de tudo, é importante entender que a classificação segue números concretos. A Portaria nº 377/2011 estabelece medidas mínimas para que um veículo receba o título de SUV.
Entre os principais critérios estão:
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Ângulo de ataque
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Ângulo de saída
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Ângulo de transposição de rampa
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Altura livre do solo entre os eixos
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Altura livre do solo sob os eixos
Assim, o carro precisa atender a pelo menos quatro desses cinco requisitos. Dessa forma, não basta parecer robusto. O modelo deve demonstrar capacidade mínima para enfrentar obstáculos urbanos e terrenos irregulares.
SUV compacto: quais são as exigências
Para ser classificado como SUV compacto, o veículo não pode ultrapassar oito metros quadrados de área total. Além disso, precisa cumprir quatro dos cinco critérios técnicos.
Em termos práticos, o carro deve apresentar:
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Ângulo de ataque mínimo de 23º
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Ângulo de saída mínimo de 20º
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Ângulo de transposição de rampa mínimo de 10º
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Altura livre do solo entre os eixos próxima de 200 mm
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Altura livre do solo sob os eixos em torno de 180 mm
Portanto, essa categoria exige mais do que aparência elevada. Ela pede medidas que garantam melhor desempenho em pisos irregulares.
Nesse grupo, modelos como o Jeep Renegade se enquadram dentro das regras técnicas.
SUV grande: onde entram os modelos maiores
Por outro lado, a legislação brasileira não reconhece oficialmente a categoria SUV médio. Assim, todos os veículos com área superior a oito metros quadrados entram automaticamente como SUVs grandes.
Nesse cenário aparecem modelos como o Jeep Compass e o GWM Haval H6.
Mesmo com porte maior, esses veículos precisam atender aos mesmos critérios:
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Ângulo de ataque mínimo de 23º
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Ângulo de saída mínimo de 20º
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Ângulo de transposição de rampa mínimo de 10º
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Altura livre do solo entre os eixos de cerca de 200 mm
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Altura livre do solo sob os eixos de aproximadamente 180 mm
Assim, tamanho por si só não garante a classificação como SUV.
E os modelos com tração 4×4
Enquanto isso, os veículos com tração integral entram em categorias diferentes. Eles recebem as denominações de:
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Fora-de-estrada compacto
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Fora-de-estrada grande
Nesses casos, as regras mudam. Aqui, o foco se volta muito mais para o uso severo e para a condução fora do asfalto. Portanto, esses modelos possuem critérios próprios e mais específicos.
Quando um SUV não é tecnicamente um SUV
Apesar da popularidade do termo, alguns carros vendidos como SUVs não atendem às exigências do Inmetro. Isso ocorre porque eles não alcançam os números mínimos de altura e ângulos exigidos.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
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Chevrolet Spark EUV
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BYD Yuan Pro
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Honda HR-V
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Volvo EX30
O mercado trata todos como SUVs. Porém, tecnicamente, eles aparecem como veículos de passageiros médios.
Da mesma forma, modelos como:
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Toyota Corolla Cross
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Mini Countryman
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Volvo EC40
entram na categoria de veículos de passageiros grandes, e não como utilitários esportivos.
Onde consultar essa classificação
Felizmente, o consumidor pode verificar essa informação de duas formas simples:
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Consultando a ficha técnica completa do veículo
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Acessando o PBE Veicular, que reúne os dados oficiais do Inmetro
Esses dados fazem parte do mesmo sistema usado para medir consumo e eficiência energética.
Mas isso muda algo na prática
Na prática, muitos SUVs recebem esse nome apenas por estratégia comercial. Entretanto, pequenas diferenças numéricas podem alterar completamente a classificação de um modelo.
Além disso, algumas versões do mesmo carro entram como SUV, enquanto outras não. Por isso, quem pretende enfrentar estradas ruins, rampas íngremes ou pisos irregulares deve consultar essas tabelas antes da compra.
Em resumo, embora o termo SUV seja cada vez mais popular, nem todo carro com visual aventureiro se encaixa nessa categoria segundo as regras brasileiras. A diferença está nos números, não apenas no design.
Portanto, conhecer esses critérios ajuda o comprador a tomar decisões mais conscientes. Afinal, um modelo pode parecer um SUV, mas tecnicamente não ser.
Dessa forma, entender a classificação oficial se torna essencial para quem busca mais segurança, melhor desempenho em pisos irregulares e uma compra sem surpresas desagradáveis.