Durante décadas, no Brasil, picape sempre foi sinônimo de motor diesel, força bruta e trabalho pesado. No entanto, aos poucos, a eletrificação começa a atravessar essa fronteira. Ainda é um movimento tímido, mas já apresenta propostas bem diferentes entre si.

Atualmente, o mercado brasileiro conta com apenas três picapes híbridas à venda. Apesar de compartilharem a eletrificação, elas seguem caminhos distintos em tecnologia, público-alvo e estratégia de mercado.
De um lado, há um modelo voltado ao uso urbano e à eficiência. De outro, surge uma proposta com eletrificação profunda e alto desempenho. Por fim, existe uma alternativa pensada principalmente para o trabalho pesado, mas com apoio elétrico.
A seguir, conheça os detalhes das três picapes híbridas disponíveis hoje no Brasil.
1. Ford Maverick Hybrid
Primeiramente, a proposta mais racional do trio é claramente urbana. A ideia nunca foi criar uma picape extrema para o campo, mas sim unir conforto de SUV com versatilidade de caçamba.
Na linha mais recente, o modelo ficou mais refinado e tecnológico. Entre os destaques estão rodas de 19 polegadas, teto solar elétrico, capota marítima de série, painel digital, central multimídia maior, som premium e câmera 360°.
Além disso, o pacote de segurança avançou bastante. Agora conta com piloto automático adaptativo com Stop & Go, assistente de permanência e centralização em faixa e monitoramento de ponto cego.
No conjunto mecânico, o sistema combina um motor 2.5 a gasolina com um motor elétrico mais potente que o anterior. A potência conjunta chega a 194 cv, com câmbio eCVT e tração AWD sob demanda. O desempenho também evoluiu, acelerando de zero a 100 km/h em cerca de oito segundos.
A bateria é pequena, pois não se trata de um híbrido plug-in. O foco está na eficiência contínua, alcançando consumo superior a 15 km/l na cidade e autonomia acima de 800 km.
A caçamba leva até 943 litros ou 584 kg, com o sistema Flexbed, que oferece pontos de fixação, divisórias, nichos e iluminação.
Assim, é a escolha ideal para quem usa a picape no dia a dia urbano, mas não abre mão de versatilidade.
2. BYD Shark
Se a primeira aposta no equilíbrio, esta representa a ruptura. Aqui, a eletrificação é levada a sério desde o projeto.
Lançada no Brasil em 2024, a picape passou por uma redução expressiva de preço desde a estreia, algo raro em um mercado que costuma apenas subir valores.
O conjunto mecânico é formado por um motor 1.5 turbo aliado a motores elétricos e à bateria Blade de 29,6 kWh. A potência combinada chega a 437 cv, com torque de 65 kgfm. Com isso, o zero a 100 km/h ocorre em apenas 5,7 segundos, desempenho digno de esportivo.
Segundo o Inmetro, o consumo é de até 24,6 km/le na cidade e 19,9 km/le na estrada. Além disso, pode rodar cerca de 100 km em modo totalmente elétrico.
No pacote tecnológico, o nível é elevado. Há head-up display, sistema ADAS completo, câmera 360°, sistema VtoL para alimentar equipamentos externos e três tomadas na caçamba.
A capacidade de carga é de 790 kg, com reboque de até 2.500 kg e volume de 1.200 litros na caçamba.
Portanto, trata-se de uma picape pensada para quem busca eletrificação real, alto desempenho e tecnologia de ponta.
3. Foton Tunland
Por fim, a proposta mais curiosa do grupo é a voltada ao uso comercial. A marca é conhecida globalmente por caminhões e veículos de trabalho, e decidiu entrar no segmento de picapes médias no Brasil com duas versões.
Diferentemente das outras, aqui o sistema é um mild hybrid de 48 Volts, que auxilia um motor 2.0 turbodiesel. O conjunto entrega 175 cv e 45,4 kgfm de torque, com câmbio automático de oito marchas e tração 4×4. O sistema híbrido é fornecido pela Bosch.
A versão V7 é mais voltada ao uso pesado, com suspensão traseira por feixe de molas. Já a V9 prioriza o conforto, trazendo suspensão independente e pacote ADAS mais completo.
No interior, chamam atenção as telas grandes, com painel digital de 12,3 polegadas e multimídia de 14,6 polegadas. Outro diferencial importante é a garantia de até 10 anos, fator relevante para uma marca ainda pouco conhecida no país.
As capacidades também impressionam: até 1.050 kg de carga e 1.379 litros de volume na caçamba.
Assim, é a mais indicada para quem precisa de robustez no trabalho diário, mas já quer um toque de eletrificação e tecnologia.
Três caminhos diferentes para o futuro das picapes
Em resumo, as três picapes híbridas vendidas hoje no Brasil mostram que não existe uma única receita para eletrificar esse segmento.
Enquanto uma aposta na eficiência urbana, outra investe pesado em desempenho e autonomia elétrica. Já a terceira mantém o foco no trabalho pesado, adicionando eletrificação leve ao motor diesel.
Portanto, o consumidor passa a ter opções que atendem perfis bem distintos, desde quem roda na cidade até quem precisa de força no campo ou na estrada.
Mesmo ainda sendo um nicho pequeno, o movimento é claro. Aos poucos, a eletrificação vai deixando de ser exclusividade de carros urbanos e começa a conquistar também o território tradicional das picapes.