Por muitos anos, a Renault não conseguiu espaço no segmento de SUVs médios no Brasil. Enquanto isso, na Europa, a marca sempre teve produtos bem aceitos nessa faixa. No mercado brasileiro, porém, a estratégia ficou concentrada em modelos de origem Dacia. Esse cenário começou a mudar com o Kardian em 2024. Agora, o Boreal amplia essa virada de posicionamento.

Além disso, o lançamento acontece em um dos segmentos mais disputados do país. Corolla Cross, Compass, Taos e Tiggo 7 e 8 dominam as vendas. Mesmo assim, o novo SUV chega com uma proposta clara e competitiva.
Proposta e posicionamento
Antes de tudo, a ideia é simples. Oferecer porte, tecnologia e conforto por um preço mais acessível. Com valores a partir de R$ 180 mil, o modelo entra abaixo da maioria dos rivais diretos. A exceção fica por conta de versões específicas do Tiggo 7.
Dessa forma, a Renault tenta atrair um consumidor que quer subir de categoria, mas ainda não deseja investir em um híbrido ou elétrico.
Dimensões e conjunto mecânico
A plataforma RGMP permite um porte condizente com o segmento. As medidas confirmam isso:
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Comprimento de 4,56 metros, garantindo presença visual.
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Entre-eixos de 2,70 metros, favorecendo o conforto.
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Largura de 1,84 metro e altura de 1,65 metro, com proporções equilibradas.
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O interior oferece bom espaço, materiais de melhor qualidade e sensação de categoria superior.
O motor é o já conhecido 1.3 turbo flex, com até 163 cv e 27,5 kgfm de torque. Ele trabalha junto ao câmbio automatizado de dupla embreagem úmida de seis marchas. Embora não seja o mais potente da categoria, entrega desempenho adequado e bom equilíbrio com o consumo.
Versões e equipamentos
A gama será composta por Evolution, Techno e Iconic. A mecânica é a mesma em todas. O que muda é o pacote de equipamentos.
Aqui, o SUV se destaca. Mesmo versões intermediárias já oferecem itens que costumam ser opcionais em concorrentes. Entre eles estão:
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Pacote ADAS completo, com diversas assistências.
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Multimídia com Google built-in, inédita em produção nacional.
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Teto solar panorâmico, conforme a versão.
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Bancos elétricos com função de massagem.
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Sistema de som premium e iluminação ambiente.
Assim, o modelo se posiciona como um dos mais tecnológicos do segmento.
Primeiro contato ao volante
Durante o teste entre Guarulhos e Campos do Jordão, o SUV mostrou comportamento maduro. Apesar do porte, a condução lembra a de um automóvel. Isso melhora a confiança ao volante.

O acabamento surpreende positivamente. A montagem é sólida e o nível de ruído interno é baixo. O painel digital tem boa leitura e a central multimídia responde rápido. Tudo contribui para afastar a imagem dos antigos modelos de entrada da marca.
Por outro lado, o acelerador apresenta um leve atraso. Ainda assim, o câmbio ajuda a manter boas respostas, especialmente no modo Sport. Já o modo Eco prioriza claramente a economia.
Conforto, estabilidade e segurança
Em rodovia, o comportamento é estável. Mesmo em trechos sinuosos, o SUV se mantém previsível. Os modos de condução alteram de fato o ajuste do conjunto, o que faz diferença no uso diário.
Além disso, o pacote ADAS amplia a sensação de segurança. O silêncio a bordo também chama atenção. Apenas um leve ruído aerodinâmico nos retrovisores aparece em velocidades mais altas.
Dentro dos SUVs médios, o lançamento marca uma nova fase da Renault no Brasil. O modelo combina visual moderno, bom espaço, tecnologia avançada e preço competitivo.
Para quem não faz questão de eletrificação, ele surge como uma alternativa racional e bem equipada. A versão Techno tende a concentrar as vendas, por equilibrar conteúdo e valor. No fim, o SUV mostra que a marca está pronta para disputar espaço de igual para igual em um segmento que sempre lhe faltou.




