Durante quatro dias de uso no Guarujá, litoral paulista, foi possível conhecer de perto o Volkswagen Taos 2026. Mesmo sem pegar estrada, a experiência urbana mostrou mudanças importantes. O SUV ficou mais bonito, um pouco mais esperto no trânsito e agora traz uma novidade relevante: o novo câmbio automático de 8 marchas (AQ300, da própria Volkswagen), que substitui o antigo AT6 da Aisin.

Embora o tempo de avaliação tenha sido curto, deu para perceber que o conjunto mecânico evoluiu. Ainda assim, a marca optou por manter o motor 1.4 turbo de 150 cv no Brasil, diferente do que acontece nos Estados Unidos, onde o modelo recebeu o 1.5 turbo de 176 cv. Considerando a concorrência cada vez mais forte, essa decisão pode ser questionada.
Preços e versões
Atualmente, o SUV é vendido em duas configurações:
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Comfortline: R$ 200.000
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Highline: R$ 210.000
Para quem já tinha o modelo anterior, a melhora é clara. Agora, o carro se mostra menos hesitante nas arrancadas, mais coerente nas retomadas curtas e mais previsível em situações comuns do dia a dia, como cruzamentos apertados e conversões rápidas. Ou seja, o novo câmbio faz diferença principalmente no uso urbano.
Novo câmbio muda a sensação ao dirigir
O câmbio automático de 8 marchas ampliou o aproveitamento do torque do motor 250 TSI. As trocas estão mais bem distribuídas e a resposta ao acelerador acontece com menos atraso.
Além disso, a aceleração de 0 a 100 km/h caiu para 9 segundos, um ganho de três décimos em relação ao modelo anterior. Na prática, isso aparece mais como sensação do que como número. O carro parece mais disposto, mesmo sem mudar sua personalidade.
Visual renovado com mais presença
O facelift ajudou a reforçar a percepção de evolução. A dianteira ficou mais limpa e ganhou uma grande abertura inferior, deixando o conjunto mais moderno. Já na traseira, as novas lanternas em LED e o primeiro logotipo iluminado da Volkswagen no Brasil chamam atenção.
Com isso, a marca tenta resolver um antigo problema: a falta de carisma visual. O resultado é um SUV com impacto imediato mais forte, mesmo sem mudanças radicais.
Interior continua sendo um dos pontos fortes
Por dentro, o modelo segue como um dos bons exemplos do segmento. A central multimídia de 10,1 polegadas continua sendo destaque. Ela é rápida, intuitiva e estável, algo que ainda diferencia o carro em um mercado onde telas grandes nem sempre significam boa experiência de uso.
No trânsito urbano, essa qualidade faz diferença todos os dias.
Por outro lado, quando se sai de um SUV chinês e entra nele, a sensação é de estar em um projeto mais conservador. Isso também acontece com rivais como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. O desafio não está na qualidade construtiva, que é ótima, mas na ausência de tecnologias como sistemas híbridos.
Dimensões, espaço e comportamento dinâmico
O SUV importado do México cresceu 6 milímetros no comprimento e agora mede 4,47 metros. Mesmo assim, manteve suas proporções equilibradas:
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1,84 m de largura
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1,63 m de altura
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2,68 m de entre-eixos
O espaço interno é generoso e o porta-malas de 500 litros continua sendo um dos melhores da categoria.
A escolha dos pneus 235/45 R19 mostra uma proposta mais racional do que estética, preservando conforto e estabilidade. Mesmo na areia da praia, o comportamento foi satisfatório.
Além disso, a suspensão independente nas quatro rodas garante um dos melhores acertos dinâmicos do segmento. Em termos de direção e estabilidade, ele se mostra superior a SUVs chineses, ao Corolla Cross e até ao Jeep Compass.
Consumo e tanque menor
Um detalhe curioso é a redução do tanque de combustível, que passou de 51 para 48 litros. A marca demonstra confiança em um consumo razoável para um SUV médio a combustão.
Os números oficiais são:
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Gasolina: 11 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada
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Etanol: 8 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada
Naturalmente, esses dados variam bastante conforme o estilo de condução do motorista.
Vale a pena?
No fim das contas, o Volkswagen Taos 2026 não tenta disputar protagonismo com SUVs híbridos ou plug-in. Ele aposta em uma fórmula mais tradicional, agora melhor ajustada ao uso real.
Não é o mais potente nem o mais tecnológico do segmento. Porém, ficou mais agradável de dirigir na cidade e deve ter melhorado ainda mais na estrada graças ao novo câmbio automático de 8 marchas.
Portanto, para quem busca um SUV confortável, bem construído, com bom espaço interno e comportamento dinâmico acima da média, o modelo segue sendo uma opção sólida dentro da proposta da Volkswagen no Brasil.